Betty Blue... azul e triste, triste.

Uma canção atemporal.

 

 

Zorg é um cara que lembra muito uma das minhas facetas. Não quer movimento. Não quer acontecer. Tem o que precisa e vive bem com isso. É feliz, ainda que melancolicamente. Estático. Quando Betty aparece, ele se apega a ela intensamente, como se fosse um dos seus lados se colando, completando a existência dele. Não como quando nos misturamos a alguém e chegamos a pensar que nunca seremos capazes de saber onde termina um e começa o outro. Zorg sabe onde ele termina e onde começa Betty, depois os limites são inexistentes. Ele respira e executa funções e ela cuida de fazer com que o coração continue batendo e a alma mantenha-se frenética.

 

Foi esta linha tênue entre ser original e desequilibrada que me deixou mais triste. Que coisa, não? Levei anos da minha vida para conseguir assistir ao filme e fiquei triste. Não animada com as sandices de Betty ou o amor que consente, sempre, de Zorg. Não me empolguei com as cenas febris como quando ela coloca fogo na casa dele ou no momento em que ele vai visitá-la no hospital, depois de ela ter arrancado um dos olhos. Eu só me sentia intensamente triste por Betty não ser somente uma maluquinha.

 

Betty, essa garota descolada, queria apenas alguém em quem confiar, amar, ter filhos e que Zorg se descobrisse mais confiante nele próprio do que acreditava ser. Queria um outro tipo de loucura, daquela que sempre deixa opção, não daquela que assume o posto, invade corpo e alma. O bicho aprumado no delírio queria ser patinho feio no cotidiano e não precisar mais ouvir as vozes ecoando na sua cabeça.

 

Mais triste é o desfecho, mas este eu não conto. Agora, vou terminar de ler o livro que tem a vantagem de ser mais detalhista. O filme, é até estranho de dizer, mas Jean-Hugues e Béatrice me fizeram acreditar que essas pessoas existem. Eles não saem da minha cabeça e eu até entendo a razão... Betty entrou na vida de Zorg para despertá-lo e quando ele abriu os olhos, ela já não estava mais lá. O sentido das coisas se perderam; as coisas também. E restou um vazio tão imenso que, por mais que se tente, não há como preencher. Isso é assustador.



- Postado por: mouca tagarela às 18h49
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