:::BLECAUTE:::
Nem queira tentar me desarmar! Estou pronta para a guerra e com todas as flores e floreios que a utopia pode oferecer. Chamar minha disposição de tolice pode ser a melhor arma de muitos, mas tenho comigo que qualquer abismo pede corda. Faço como posso, então.
Arrasto pés dançando à velocidade do pensamento... é "Fé Cega, Faca Amolada" e um tanto de vontade de infiltrar-se nas pretensões alheias. Amor cego e vida agitada, combinação capenga que sustenta a realidade de quase todos nós.
Desenlace o laço que amarra os cabelos que poderão flutuar ao vento feito continuação de raios de sol. Poesia lânguida para deuses não santificados, mas que aprenderam a lidar com a fé dos homens nas rodas de dança, no folclore do olhar pedindo um tempo para perder-se em emoção verdadeira.
Somos pessoas inacabadas a espera do próximo esboço. Em busca do mais visceral traço.
Leitura dinâmica: o gesto. A cordialidade vigente no momento da conquista: conhecimento. Alunos insistentes de que a matemática mais funcional é aquela que nunca dá resultado perfeito, permitindo subtrações, somas e divisões que tenham a ver com o momento de cada um. Cada um, um? Cada um, tantos que até se perde a conta.
No escuro mais escuro de todas as noites desta vida, lá está. Blecaute! Olhos vendados com possibilidades; quadro-negro pronto para a próxima lição. E deste indeterminado instante não participam as luzes da cidade, mas os holofotes-estrelas que deitam seus olhares sobre nossos seres nunca antes tão humanos.
>>tx antigo..o do fotolog nao...www.fotolog.net/limello
bjus bjus
- Postado por: mouca tagarela às 08h43
[ ]
[ envie esta mensagem ]

:::apenas SINTO:::
[terça de sonho e friozinho (e estamos em Miami) com chuva... um sono imenso, um cansaço enorme, meu corpo deita mas nao pousa sem teus braços. acho que nao volto a dormir e ressonar para acordar inteira se nao for ao teu lado.
estou ai, dentro do Teu peito e agora estou condenada a andar aqui sem alma e p/ os que estao sem alma, nao ha horas de sono que deem jeito.
sigo branca, livida, labios vermelhos porque meu sangue corre aí em Tuas veias, nao sentes, longe que esta do meu proprio coraçao, se impulsiona distante e eu esfrio o corpo, com Teu coraçao batendo por nos dois enquanto o meu soluça no seco, longe dos líquidos quentes de que nos fazemos juntos.
minhas maos a procura de Voce no vazio vizinho, na amplidao alva impregnada do Teu cheiro, entre travesseiros e tudo isso se mistura aos sonhos em que voltam as nossas imagem em flashes, em pedaços, o quarto quase escuro, a luz da madrugada, Tuas pernas, os pelos do Teu peito, Tua língua rubra, peças de roupa perdidas, Teu riso, um leve suspiro...
e eu acordo com a impressao de que acabaste de Te evadir daqui, que em mim restam Teus afagos de sonho, a presença efemera do Teu riso, quando rias, a Tua respiraçao.
Adormeço insone, com pena dos meus seios tão longe das Tuas maos...]
- Postado por: mouca tagarela às 23h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]

::::Sou assim::::
Cada uma de nós conta histórias - as suas ou as que inventa, ouve,capta,interpreta, vê.
O cotidiano desfila alinhavando desejos, sonhos, dores,lágrimas,sorrisos, esperanças, medos, descobertas...
Um enorme quebra-cabeça que montamos com nossa aguçadaintuição,entrelaçando palavras, desenhando destinos, nossas paixões olhando além:com simplicidade, desafio, aceitação ou arrogância.
Na minha concepção, tudo o que escrevo soa comum.
Na constância do tempo, horas que se somam desencadeando dias, semanas,meses, anos, séculos sem fim na eternidade, sei que minhas histórias já foram vividas, minhas alegrias e desilusões já sentidas, o amontoado desentimentos e desejos que me possuem já pertenceram a outras eras...
Outra mulher chorou minhas lágrimas e amargou as mesmas perdas... Riu meu sorriso e foi parte da felicidade de abraçar o homem amado...
Outra mulher também o viu partir, com o desespero do desencanto, e o viu voltar, com a calma agitada dos que se sentem derrotados numa disputa que julgava perdida: perder batalhas para vencer a guerra...
Todas as minhas saudades moram em algum canto no horizonte, minha fragilidade e força pertencem ao mundo...
Os pesadelos da noite, a incompreensão diante da morte, minhas sombras, a inquietação: outra mulher conhece delas também...
Muitas de nós guardam dentro de si silenciosas histórias, numa confraria pessoal de textos secretos, postos lado a lado nas prateleiras do coração.
Algumas conservam no sótão particular um sem número de palavras que não foram ditas, percepções caladas, perigosos atalhos que, de repente, vêm à tona estraçalhando tudo ao redor.
Não é bom ter um 'baú de ossos' trancado na memória, mas nem sempre é fácil livrar-se desse pesado abstrato, que vez ou outra abre-se e se lança sobre nós, semeando uma melancolia que a gente diz não saber de onde vem... Mentira: vem do perdão que negamos, daquela mágoa que ainda remoemos, daquele momento ruim que não relevamos e nos abriu um abismo por dentro - buraco insondável que alimentamos com nosso rancor...
Minhas histórias são um reflexo do que sei, aprendi, vivi, detalhes que ardem na minha pele, bagunçam minha mente, confundem-me.
Em outros tempos escrevi intensamente: mais do que uma arte, era um vício, minha maneira de gritar ao mundo meu desapontamento com a vida. É curioso como quando a gente está dentro de rodamoinhos dolorosos, consegue definir com precisão marcante o revés e seus desdobramentos. Talvez a gente se centre demais nos aborrecimentos, mantendo por longas temporadas sofrimentos desnecessários que podíamos amenizar... É humano...
Mas quando está feliz, uma calmaria arromba as portas de nossa alma e a quietude se infiltra, nos torna tão mansamente tranquilas, que a gente se enrosca numa sutil ausência da necessidade de dizer muita coisa e vai estendendo o presente até o futuro, ansiando o 'para sempre'... Paz é o nome...
Sinto-me assim nesse momento... Tranquei, temporariamente, minha contadora de histórias. Ela descansa agora, sentada no chão do meu antigo quarto escuro - que anda iluminado e aconchegante.
Marota, ela sorri do meu eventual silêncio e é cúmplice quando me percebe dedilhando sobre a brevidade de alguns momentos especiais, que ando insistindo em saborear e reservar a quatro mãos...
Nada diverso: é tudo parte de todas as mulheres que me habitam...
[nao eh de hj...mas reflete bem o que transborda em mim..]
- Postado por: mouca tagarela às 21h27
[ ]
[ envie esta mensagem ]

::::não me culpe::::
Não me culpe se as ondas que aprecio são as formadas em copos d'água porque eu não me culpo se hoje Vc se adiantou e me deixou a ver navios.... sonhando em içar velas e cair na vida abreviando Nome e Sobrenome da longevidade e morrerei mais cedo hoje ao apagar das luzes da cidade quando reinará um epiléptico blecaute provocado pelo meu piscar de olhos e neste milésimo de segundo de escuridão adormecerei séculos e ao me espreguiçar voltando à vida lambendo a ressurreição sem religiosidade ou ciência meus ossos estralarão em ritmo de folia e sorrisos escorrerão dos meus lábios sem que eu saiba digeri-los e então serei uma sábia sem saber o que fazer com o que aprendi e aí está a fatalidade de desconhecer o caminho que me trouxe até aqui.
Não me culpe pela distração - já que fascinada mapeio os Teus gestos dos mais banais aos galanteios ao destino e neles me esparramo e penso poder ficar nos primeiros segundos até ser expulsa da imaginação e cuspida para a realidade ....e lá eu me esfomeio de Você novamente porque o vício pode ter cabelos castanhos e ficar bem na foto sobre a estante pode também ser infiel ao meu tristonho semblante ao gargalhar de uma piada irônica enquanto compõe mais uma canção de amor que não é para mim e prossigo a lida de Lhe querer mesmo que enciumada pelos fetiches de Tua autoria ainda que a melodia seja intencionalmente minha mais forte inimiga.
Não me culpe se delego a Você a procedência da minha paixão libertina dona essa do esboço de uma alma arredia que passa horas à mercê do que seria se fosse ontem e tudo de hoje nele acontecesse se os papéis se invertessem e ao invés de eu mimar essa querência chorando mágoas debaixo do chuveiro como se a água pudesse levá-las pro ralo eu apenas escrevesse mais um poema de amor para a Tua canção e fôssemos não mais que parceiros desesperados por nos livrar da rotina emocional e deleitados com a vista da janela como se a cidade fosse uma estática cena de um filme de cinema mudo ....que abriu a boca e pediu cores e sons - fazendo greve contra culpas inexistentes -.
>> texto antigo, mas pertinente<<
- Postado por: mouca tagarela às 18h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]

::: DiA ANoRmAl ::::
sexta cansada e confusa. ela esqueceu a chave dentro de casa e as latas de coca diet encima do movel. as horas no trabalho se arrastavam lentas. e as tres da tarde ela ja estava em casa de volta. porta adentro, forno funcionando, prateleiras nos armarios, e parecia que algo estava fora do prumo...eram as horas, o ano...
ela deitou para cochilar na sala, ao despertar sentiu um cheiro forte de cafe com chocolate. ela nao bebe cafe. ela bebia esse - sempre que ia a casa de uma grande amiga no sul. grande amiga. cade? decidiu procura-la....
e foram horas entre mIRC, MSN, e-mails, icq, orkut...encontrou. o sorriso lhe veio aos labios ao ver a foto, ela continuava uma irma de dar orgulho, linda, sorridente como sempre foi. pensou entao e percebeu que nao falava com ela desde 2003, nossa...era esse o momento. e neste mesmo momento, ela colocou um cd do chico, a noite ja ia alta...pegou uma taça de vinho e voltou ao micro. como que celebrando o reencontro. a familia escolhida do sul. pai, mae, irmas...tudo que ela sempre teve que estava la, sempre estariam la. ela chorou baixinho de saudades. os olhos passavam pelas fotos e palavras.
silencio e susto. medo e vontade.
ela descobriu que ha exatos 12 meses sua irma mais nova havia morrido. fatalidade? nao. tragedia mesmo. ela era linda, sorridente, sabichona...sua irma mais nova havia sido atropelada e estava morando do lado de la.
susto e silencio vontade e lagrimas
foi inevitavel ela chorar. e chorou horas, pelo pouco contato, pela omissao, por nao ter podido estar la, por ter se deixado ausente. e chorou mais. por sentir saudades, por encontrar fotos, por encontrar recadinhos em e-mails antigos. por amar de longe sem ter tido tempo de dizer que amava de perto.
o vinho acabou. a musica parou de tocar. ela mandou um recado. desligou o micro. como quem liga a saudades. silencio e medo. noite.

laurinha linda (1987-2004)
- Postado por: mouca tagarela às 23h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]

|